Decepcionado com a classe

À primeira vista, quem lê a palavra classe no título deste post pode imaginar que vou falar sobre POO. Mas o intento aqui não é esse.

Como disse no meu primeiro artigo, também pretendo usar o blog para desestressar um pouco. Já que nem sempre tenho tempo para fazer uma caminhada ou dar uma saída, quero aproveitar alguns minutos livres do dia para postar um pouco de humor, sempre relacionado à tecnologia ou à profissão.

Também pretendo (espero que esse monte de “pretendo” não acabe aqui) aos poucos melhorar o visual do blog. Como designer sou um excelente programador [:)] .

Mas voltando ao assunto do post, qual profissional não passou por algumas experiências, digamos, “interessantes”?

Vou contar algo que aconteceu comigo há algum tempo (mas não citarei nomes):

Um dia, ligaram para mim e perguntaram se eu prestava serviços como freelancer. Respondi que sim e marcamos uma reunião. Chegando na reunião, o fulano me diz que por lá passaram muitos programadores, mas nenhum dava certo, era complicado, e ele já estava ficando “decepcionado com a classe” (daí o título do post/seção que se inicia).

Olhei bem pra cara dele e não pude evitar o olhar desconfiado. Na mesma hora ele me disse:
– Mas não é minha culpa.
Ok, digamos que resolvi dar o braço a torcer, e comecei a prestar serviços para ele.

O tempo foi passando, ele pagava certo. A única coisa que eu não gostava tanto é que toda hora ele ficava no msn (meu trabalho era remoto):
– E aí? Como estamos?
– Como está o serviço?
– Tudo indo bem aí?
Etc.
Fora a apurrinhação, tudo bem, eu suportava, ainda mais estando longe (e imaginava o que passava quem trabalhava ao lado dele).

Só que, passados poucos meses, as coisas começaram a complicar um pouco. Os atrasos (dos pagamentos) começaram. Uma, duas, três vezes. E ele sempre dizendo que teve algum problema e tal…certa vez ficou devendo dois meses (claro que nesse período não fiz nada para ele enquanto ele não me pagou).

O mais interessante é que, durante os atrasos, quando ele precisava dos meus serviços ele ligava:
– Wagner, me passa de novo o nº da sua conta, por favor.
Ou ainda:
– Verifica se o dinheiro caiu na sua conta, por favor.
Eu passava a conta/verificava, mas já imaginava…e não dava outra, antes mesmo de eu conferir se ele tinha mesmo depositado, ele já falava que “precisava que eu fizesse tal coisa”, ou que “o cliente X tá com o problema tal”.

Cada dia mais eu tinha certeza que a culpa de nenhum programador dar certo na empresa realmente não era dele (estou sendo irônico, ok?).

Pois então! O estopim foi num fim de ano, quando fiz alguns serviços para ele (o combinado era ele me pagar no mês seguinte). Fiz o serviço de outubro, ele pagou parte em novembro (eu disse parte). Ainda fiz algum serviço para ele em novembro, pois o que ele me devia de outubro era pouco.

Em dezembro daquele ano, como ninguém é de ferro, fui viajar. Fiquei coisa de um mês fora. Chegou janeiro, dia do pagamento, nada de dinheiro na minha conta.

Uns tempos antes, ele pediu para eu passar detalhado o que fazia, mesmo que essa relação (profissional, pô! [:p] ) seja algo de confiança, já que não havia um contrato – e se alguém até ali tinha algum motivo para desconfiar, esse alguém era eu – mas ele queria organizar melhor o tempo de trabalho. Ok, passei a detalhar os serviços. Antes, só passava o total de horas (atualmente, uso o software MapleXP, que não é perfeito, mas tem boas qualidades) .

Voltando a Janeiro do ano seguinte, uma mulher que começou a trabalhar para ele entra em contato por e-mail pedindo algumas informações sobre clientes. Passei o que pude por e-mail. Nesse meio tempo, já havia passado o dia do pagamento e nada de dinheiro. Lá pro dia 21 (eu ainda estava viajando), ele manda um e-mail pra eu verificar se o dinheiro caiu na minha conta e também pra eu “ficar online, para conversarmos”. Vi o e-mail à noite, conferi o saldo (pra variar, nada de dinheiro), respondi o e-mail e nada dele responder.

No fim de janeiro voltei para casa. Fevereiro, descubro que ele foi viajar pra cidade natal dele, foi pular o carnaval. E fiquei sabendo (tenho meus “contatos” [:p]) que ele foi pro sambódromo e tudo.

Passado o carnaval, ele voltou. Numa segunda-feira, vem me dizer que “voltei hoje, estou colocando a casa em ordem”. Perguntei quando ele iria pagar o que me devia, ele disse que no outro dia. Mas antes, me perguntou:
– Quanto estou te devendo?
– X
– Pra mim consta X – Y.
– Não. Você ficou me devendo Z em novembro (relativo ao trabalho de outubro) e I de Dezembro (relativo ao trabalho de novembro). Em dezembro, pagou tanto e ficou devendo outro tanto. Você me deve X.
– Deixa eu ver aqui. Achei. Peraí

Nisso, ele ficou off no msn. Liguei lá e ele disse que me pagava no outro dia.

Chega no outro dia, nada…à tarde, perguntei de novo, e ele me diz que “estava reinstalando o sistema do banco, e assim que terminasse me avisaria”. Me ausentei, e umas 2 horas depois, ele me chama no msn (vi depois, pois não estava). Era para avisar que me pagou? Que nada! Era para pedir um orçamento.

No outro dia, a primeira coisa que ele fez ao me ver online, foi me chamar (acreditem, ele sempre fazia isso – menos pra falar de pagar -, eu nem bem ficava online, minha lista de contatos nem estava carregada e lá tinha a janela do chat aberta com mensagem dele), perguntando se vi a mensagem dele. Disse que vi, ele disse que não queria ganhar nada com aquele serviço, mas precisava que eu estivesse lá no escritório (loooonge) na sexta, pra passar os valores para o cliente. Só respondi que não iria, que não me interessava. Ele respondeu com um ok.

Perguntei novamente sobre o pagamento, ele disse que estava “juntando a grana”, que no outro dia ia cair um pagamento de um cliente, mas já tinha uma parte para me pagar.

Aí eu “já” estava decidido a não prestar mais serviços para ele, pois o cara não tem dinheiro para pagar o que deve, deixa o site dele (ganha-pão) fora do ar (quem entrava no site via escrito “conta suspensa”), mas tinha dinheiro pra viajar com a família e curtir o carnaval.

Nesse pouco mais de um ano que prestei serviços para ele, vi passarem 4 webdesigners por lá. Os que saíram me disseram que ele sempre atrasava, enrolava os clientes, etc. Um deles me disse que o cara quase foi despejado, pois não pagou o financiamento da casa. Fora o tormento que eles passavam do cara ficar toda hora no ouvido deles perguntando como estava o trabalho.

Mas para quem acha que sou bobo (só tenho cara [:p]), eu tinha um trunfo nas mãos: se ele não quisesse me pagar, não teria como fazer mudanças no sistema, pois todo o código fonte de um ano de mudanças no sistema estava comigo. Ele que inventasse de não querer me pagar que nunca mais veria o código (sou vacinado).

O humor (do tópico, citado lá em cima) está aí: tem gente que só quer ter vantagens na vida, e não percebe que acaba prejudicando a si mesmo. Se acha o espertão e os outros, um bando de trouxas. Pois é…

E aí, quem deu o motivo para o outro ficar decepcionado com a classe? 😀

Aviso que não direi o nome dos envolvidos. Talvez num futuro distante.

E você, já passou por algo parecido? Conte aqui.

Vagner (Uru) disse:
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Na verdade, deixar de pagar consta sim, na CLT. A Consolidação das Leis Trabalhistas diz que o empregador assume os riscos da atividade e, mesmo que passe por dificuldades financeiras, tem a obrigação de pagar os funcionários em dia. Detalhes:
1. para este efeito, o sábado também é contado como dia útil;
2. o contrato individual de trabalho poderá, sim, ser expresso e verbal (art. 443 CLT), ou seja, a “confiança” está prevista e protegida em lei;
3. não se distingue trabalho realizado no estabelecimento do empregador ou na casa do empregado (art. 6);

e por aí vai.. não faço Direito, mas é bom conhecer algumas coisas..

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm

luquiso disse:
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Ler tais palavras me fazem cócegas nas narinas ! Daquelas que só não se chora pq antes ri-se !
O q levanta uma questão intermitente no ambiente de trabalho .. quem está errado ? o chefe ou o contratado ? EU acredito que se for o segundo, fica tudo na mesma, se for o primeiro, como o é na maioria dos casos, as coisas vão continuar como estão até que a empresa vá a falência ! como acontece com mais de 50% das pequenas empresas do mercado ! E antes que eu me esqueça, Deixar de pagar funcionário devia constar nos autos criminais, culposo, flagrante, formação de quadrilha etc…